domingo, 18 de dezembro de 2011
sábado, 17 de dezembro de 2011
emosom
Aumentou o volume do carro e cantou ainda mais alto. E talvez conseguisse abafar a música que andava cantando seu peito.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
mãorionete
Segurou sua mão e perguntou o motivo da partida. Precisava saber se ia embora porque queria, ou se, indo embora, ela acreditava que mantinha controle dos fatos. Você nunca controlou isto aqui, Bem.
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
domingo, 11 de dezembro de 2011
conto de natal
Ela sempre gostou de máscaras. Usava-as para as ocasiões. Ontem, usou uma com olhos puxados, japonesa, e semanas atrás, colocou uma triste, porque era seu aniversário. Hoje, escolheu uma de gesso, sem expressão, porque ia dançar com amigos. A caminho do palco, e atrasada do alarme que não funcionara, percebeu enfim que faltavam-lhe do relógio dois ponteiros, o das horas e dos minutos. E soube-se então perdida naquela música de videogame, e naquele tempo de ponteiro de segundo, sempre mais rápido que suas pernas. Até para pernas bailarinas!, pensou. Ajeitou o relógio de sineta na cabeceira da cama, tomou um copo rápido de leite (nesse dia, esqueceu de colocar uma máscara) e saiu. Ela nunca tinha tempo pra comprar um novo relógio.
domingo, 27 de novembro de 2011
com neca
E agora que a caneca está cheia, menina? Tanto futuro que tinha ali dentro, escapando pelas bordas. Escorria pelas paredes copo, sobre seu nome, e já não se sabia de quem era aquela caneca. Sabia-se, entretanto, que se tratava ali dum futuro cheio, e brilhante. A voz do avô soava de fundo, fazendo trilha sonora.
(...)
Nos ápices de angústia, ela rasgava os cantos do vestido pra conter o transborde.
domingo, 9 de outubro de 2011
acordando
E esta saudade que choveu hoje curta e cedo: a chuva cochichou em meu telhado que acha que é tempo de a gente se ver.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Alegoria
Maria cabelos cor-de-pira. As idéias vão fervendo uma dança ali dentro e dentro de pouco sai Maria, bailando no palco. Por que é que Maria chora escondido, quando todos vão dormir? Eu sei, disse o cometa. Foi porque, na noite passada, ela passou a tesoura nos cabelos, enquanto dizia a si mesma que tinha medo de cortar os pulsos. -Não tenha medo, Maria, gritava o cometa. A morte veste o corpo branca e lenta, um paletó novinho e justo, saído novo do alfaiate!
Mas exceto pelo cometa que passava de vez em quando, Maria era bem solitária. Ela só montava no rabo do cometa depois que ele já tinha passado.
Mas exceto pelo cometa que passava de vez em quando, Maria era bem solitária. Ela só montava no rabo do cometa depois que ele já tinha passado.
sábado, 27 de agosto de 2011
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
selembro
Ela sonhava engraçado. Sonhou, um dia, a desgraça da filha que morreria engasgada com o próprio dente. Dias depois, desbocou pendências do mês de agosto e perdeu dois amigos. A língua queimou, mas foram os olhares que se tornaram frios. Gélidos.
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Runas
Comandou a si mesma que deixaria de frequentar aquelas festas dionisíacas. Assistiria novelas, enquanto esperava a morte daquela que ela já não queria reconhecer no espelho.
segunda-feira, 11 de julho de 2011
a doração
E se mudei mesmo de gosto? O cigarro, antes vício inimigo, agora vício perfume nas roupas dela.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Marinada
Mais do que controlar os fatos na cabeça, gostava mesmo era de esticar a poesia. Do belo à beleza à belezura, em uma lenta puxada de chiclete.
(algumas puxou tanto pelas pontas que viraram rasura.)
quarta-feira, 2 de março de 2011
piu-piu
Olhou pro céu e apontou um cantinho "azul Gordo". Reconhece? O céu e as pessoas, e a diferença de seus sobrenomes.
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