domingo, 11 de dezembro de 2011

conto de natal

Ela sempre gostou de máscaras. Usava-as para as ocasiões. Ontem, usou uma com olhos puxados, japonesa, e semanas atrás, colocou uma triste, porque era seu aniversário. Hoje, escolheu uma de gesso, sem expressão, porque ia dançar com amigos. A caminho do palco, e atrasada do alarme que não funcionara, percebeu enfim que faltavam-lhe do relógio dois ponteiros, o das horas e dos minutos. E soube-se então perdida naquela música de videogame, e naquele tempo de ponteiro de segundo, sempre mais rápido que suas pernas. Até para pernas bailarinas!, pensou. Ajeitou o relógio de sineta na cabeceira da cama, tomou um copo rápido de leite (nesse dia, esqueceu de colocar uma máscara) e saiu. Ela nunca tinha tempo pra comprar um novo relógio.

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