Então faço-me manada errante na selva perigosa. Atropelo tudo, inclusive minhas palavras. Deixo-as estateladas ao chão, a alguns degraus bem abaixo de onde consigo notar. É proposital. Não penso, não reflito, simplesmente sigo floresta adentro, derrubando todas as letras e síladas que se formam no ar e ao meu redor, e até as mais extensas e complicadas não me fazem hesitar. Sou a morte para o homem e o desejo para o bom pastor e o que sai de mim é música erudita num filme inacabado - não passam de sons soltos e sem sentido, a completarem leitos secos com sangue de vítimas tropeçadas. Os rios que se enchem brilham e todos que dele bebem tornam-se espíritos pedintes de céu. É ar que ora sobe ou desce, sem razão ou motivo. Loucos. Aos poucos, nossa mata tropical, sinônimo para hospício. Não sinto e não olho para trás, faço-me elefante preto e o que me cobre é cobre tão duro quanto a frieza que me faz trotar. Aqui nada passa, nada entra, nada é filtrado. Tudo bloqueia-se em minha pele, agora rasgada e varrida fora pelas palavras, até minhas, que vou derrubando. O que me move adiante é o contato, o físico fazendo-me animal.
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