Foram quatro dias pra que se apercebesse da combinação estranha, do inseto e da cor. A início, notou-os pelo escanteio de olho e achou bonito. O segundo dia correu normalmente. No terceiro, uma das meninas cozinhou o evento na panelinha de gente e ela, que estava só segurando a salsinha, trocou-a rápido pelo orégano, pois a fornalha já estava quente e desejou que o assunto virasse pizza. Na quinta-feira, a chuva fez nascer o dia cinza e quando ela correu pra debaixo da lona, viu-se denovo perto da mariposa, que pousara já meia-semana sob um antigo porta-recados de veludo azul. Lembrou-se, então, da velhamenina marrom e de seus rajados brancos, e de como isso a colocara sempre a um quarto do esconderijo e do palanque perfeitos. Sempre metade de tudo. E fez-se triste, quase um logro, seus olhos, pois a cor ali expunha o inseto, destacando-o. Como se o azul já lhe soubesse a natureza e os segredos e as palavras seguintes e tudo o mais fazendo-a o que era. Alisava macio as patas do inseto que, satisfeito, não saía. E todos podiam vê-lo. 'É uma armadilha, sra. Mariposa!', pensou alto, a menina aflita. E agora todos olhavam pra ela, que era decerto mariposa. Foi só no último dia, a mariposa pegou carona no pedaço de dente-de-leão que voava ali perto e partiu prum azul maior (o céu). O quadro consolou-se com taxinhas e pedaços de papel e um sorriso cresceu no rosto da menina, que já não se via mais.
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