segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

vluto

Sabe-se que se enamorou da penumbra na parede, de seu tom intermediário de pretos e de sua pluriformidade diária. Abria os olhos quando a lua se ia e lia ali seus bilhetinhos. Eram bilhetes secretos de sombra que só ela entendia e a cada novo sol, apareciam diferentes. Sempre a surpreendiam. Mas hoje, os raios pararam nas grades da janela e disseram-lhe coisa que só se diz a animais em gaiolas. Foi, então, buscar falar com o correio de luz, reclamando-se de lugar sob o sol. Estriberou-se no peitoril da janela e viu a jardineira sem flor e terra, e resolveu fechar a cortina por um tempo.

2 comentários:

  1. um dia as flores crescem, e ela deixa a luz entrar novamente...

    ResponderExcluir
  2. as flores só tapam ainda mais a luz de entrar pela janela. :/

    ResponderExcluir