Naquele dia, sentia-se carente de olhos, então quis virar estrela. Aproveitou-se dele, engatado feito anzol invertido em seu ante-braço, e pediu que a abraçasse. Grande que era, abriu-se por cima de sua cabeça como um pavão que estica suas penas, sem pretender, entretando, qualquer egoconduta da ave. Nascera aprendido a dar. E se aquela tarde lhe disse sombra e ela lhe quis céu, então ele cresceria como a união dos dois. Foi então que cobriu a cabeça da menina, escondendo-a da quentura do sol e, eventualmente, dos retalhos de gente que se iam passando. Desabou o celeste até a altura de um chapéu pra que ela se sentisse brilhar no reflexo metálico de suas hastes. Ela se viu, afinal, ao meio de todos os olhos de que carecia. Deixou que seu azul lhe tomasse a cor do rosto e que sua sombra (o abraço) lhe formasse um sorriso negro nas pernas. Naquelas dezesseis horas do dia, viraram grandes amigos, a menina e seu guarda-chuva.
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