Então ela saiu do carrinho de núvem-doce que se misturara às outras nebulosas no sêu. Agradeceu a corrida e abriu uma das costelas para retirar um pedaço do coração (pagaria em débito). O motorista lhe alertando a todo instante da dor que sentiria, que nem todas as gotas sobrevivem ao vento. Mesmo assim, ela saiu. Foi deslizando pelos contornos escorregadios das núvens gordas e cinzas (suas bochechas), cada vez mais rápida, até que se estivesse num vão largo e reto. Ainda na descida, encontrou alguns relâmpagos com suas naturezas rompantes, que lhe ofereceram ajuda - rasgariam o tempo só para que ela podesse voltar. Mas o vento estava tão forte! Batia em seu rosto e forçava-lhe fragmentos pra fora, confundido-a. Percebeu-se, já perto do chão, perdida de tudo o que havia se feito até ali e, quando esparramou-se miúda na superfície do lago, estava tão pesada que nem precisou nadar até o fundo. Ali, nas pedras, deixou-se engolir por uma ostra jovem, afoita que estava para fazer jóia. Talvez fosse mesmo só um cisco, um grão de saudade no olho.
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