Ela não sabia que tinha um Alfredo por inquilino. Ele não pagava as contas e nem as prestava, e morava dentro dela. Alfredo tinha mania de confundir a função das coisas pelo nome e estalar os dedões quando envergonhado. Nos dias de apagão mental e enxaqueca, Alfredo gostava de fazer gato. Lembro da primeira vez, da coitada, contando dos felinos ouvia na cabeça. Eu já vi Alfredo abaixar sua pestana esquerda (isso não é persiana, Alfredo!) como em sinal de que ela fosse dormir. Eu sei, é verdade, Alfredo vira ela quando adormece. Sei pela posição que se deita na cama feito feto - Alfredo sabe, ela gosta que a ponham no colo. E ela ignora seus soluços distraídos que o trazem sempre à tona. Malandro que Alfredo é, aproveita pra trair as trancas dos segredos dela. Já a vi bêbada mais de uma vez pra saber quão escancarada fica. Alfredo gosta de foguear as coisas, parece cavaleiro jurado de vermelhidade. Ele risca a mesma corrida do fósforo na lixa, mas é ela que chama "Não tem ninguém aqui, mulher, do que está falando?".
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Posso confessar que ri aqui. Acho que foi a maneira como você citou o molejo de Alfredo!
ResponderExcluirrisos.
ResponderExcluirtenho tb um amigo que acha todas minhas postagens engraçadas.
algumas são mesmo. :)
beijos
*voce devia ver Alfredo se mexendo. ele tem mesmo um requebrado todo sensual.