terça-feira, 10 de agosto de 2010

contornélio

A mão que o homem pede esmola é a mesma que ela, homem, guarda o amor. Só ela sabe tirar das palmas, uma cara de concha. Fechava um cerco de quatro lados em cima dele, e usava os polegares para alisá-lo. Tocando-o suave todos os dias, mantinha-o em fase de quarto crescente. Era um amor que engordava e nunca crescia, e sempre cabia nas palmas da mão.
Cansada daquela posição de mendigo, resolveu atirá-lo no lago. Queria saber se era pedra que afunda, ou que flutua como bumerangue na superfície dos meus olhos.

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