domingo, 22 de agosto de 2010

romênina

Tinha também no lombo de cada pé dois cavalos com nomes de libido e idade. Prendia-os à redea das falanges e gritava "liberdade" para que trotassem. As unhas no ar faziam o barulho dos cascos, que deixavam suor de sujeira no canto dos dedos. Usava sapatilhas azuis para escondê-los, mas suas crinas escapavam pelos tornozelos e se cresciam como fita abraçada às pernas. Brancas, delicadas, visíveis.

Eu via os cavalos brotando das solas, empinando passos relinchados de dança. O galope, o golpe, eu prendia dentro.

Nenhum comentário:

Postar um comentário