Bem sabia o azul de sua delicada sensibilidade. E isso pra ninguém ele escondia. Ele transmitia uma eterna sensação de sobriedade, mesmo quando demasiadamente dosado de um algo que tiraria qualquer outro de si. O azul dizia ter sido vermelho um dia e sentia-se mais porque carregava hoje a experiência de outros tons. Um dia, um outro vermelho (pois cada cor, mesmo quando de igual espectro, é diferente) resolveu brotar ali, perto daquele lugar onde o azul plantava em grandes latifundios seus mantras gentis. Foi que quando o vermelho ainda era pequeno talo, pensara o azul que estivesse crescendo ali, mato e erva daninha ou talvez planta choradeira. Foi, entao, perguntar ao vermelho se ele tinha planos longos de ficar e ele respondeu púrpura. Violeta. Aspirava ter mesma cor do céu quando visto pelos olhos do coração. E o azul só entenderia quando aceitasse a mistura. Afinal, o vermelho nunca disse, mas achava-se o tempo todo laranja.
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MUITO bom. otimo, na verdade.
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