domingo, 17 de janeiro de 2010

ao longo hífen

Pensou no público que ia se formando ao redor, criando-lhe angústia, e suas unhas pararam no topo da garganta, pouco abaixo da goela. Sua voz deixaria de sair escrita pelos dedos, faria uma Grande Pausa. Pois já podia sentir em suas palavras, os aviõezinhos dobrados pelas letras do teclado. E Sentia também a traição dos ventos, com seus destinos desobrigados, e achava irônico que agora recebesse dos destinos, agradecimentos como 'muito obrigado'. Pensou em desaparecer e logo lembrou dos ilusionistas, mas não sabia fazer mágica (e também não era coelho ou pomba). Admirou-se das cores do baralho, perdidas nas digitais dos carteadores -distribuiria suas cartas até que as marcações se tivessem apagado. Toda poesia fresca, escondida debaixo dos velhos sons de lamúria e, talvez assim, ninguém a notasse. Buscava o anonimato de suas frases, aquele grito sem truco.

2 comentários:

  1. Muito legal.
    Me dá a ideia de alguem que tenta se expressar e não tem grande exito.
    " aquele grito sem truco"

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  2. Oh, obrigada, Mano! fico feliz que goste! Leio seus comentários lá, mas sou muito desleixada e acabo não deixando rastro quando passo por aqui...

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