Porque quando menor, escorregara o braço pra esquerda e ninguém nada disse, foi que começou a deslizar também outras partes do corpo. Começou esticando os braços para além dos deltóides, depois duplicou a largura única de suas passadas. A mãe, o pai e a família faziam dessaber dos movimentos que lhe cresciam com tempo feito vício. Habituou-se a agredir os limites com mesmo afinco que se mastigava carne-de-sol. Com força. Os amigos achavam graça. Quando seus membros já não lhe pertenciam, pois estavam desatados como água de núvem, resolveram soprar no berrante pra quebrar solto o silêncio. Apertaram-na tanto, tão concisa, que seu corpo foi tomado pela gravidade (também da situação) e caiu. Despencou do céu dentro dum vão d'água que, imersa, podia sentir novamente seus contornos. Redescobriu as mãos, os dedos, os pés, os lábios, os limites e a verdadeira pequena extensão de seu corpo. Viu sua velha mania esconder-se feito álcool em água com os olhos que, míopes, enxergavam ainda pior ali. Em sua cabeça, o imaginário, a nova força que a fazia abocanhar fronteiras para o além de locais repetidos de começo e meio e fim. A nova vida, afinal, restringia-se ali mesmo, em sua superfície. Engolia as mesmas eustórias, que lhe causavam refluxos insatisfatórios. Ela percebeu-se, então, pela pele enfrascada.
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adoro suas eustórias :D
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