quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

está certo, aqui.

Sua certeza, estendendo-se por toda a corda bamba, ousava tremulante entre lados opostos do picadeiro. Estava feito biruta inconstante. Quando criança, ouvira muito o pai chamá-la desequilibrada e só para contradizê-lo, formou-se equilibrista. Era respeitada, adorada e distribuía autógrafos. Seu nome estava pro circo como o super-homem, para um leitor de quadrinhos. Olhou para a platéia a soprar-lhe o piso a cada expurgo de respiração, e sentiu-se pela primeira vez amazona, iniciando-se em montaria selvagem. A determinação cobriria qualquer faísca de medo. Arranhou o pé esquerdo pelo sisal trançado, que gritou feito o velho, "desorientada!". E de repente o remeleixo dos fios desapareceu. Sempre soubera orientar-se (como agora avistava o objetivo oposto, no palco) e essa era sua certeza. Como vermelho é vermelho por convenção, e mesmo os que não o enxergam como é, dizem com veemência seu nome. O sucesso da equilibrista estava no segredo - nunca fora muito boa de equilíbrio.

4 comentários:

  1. Mais do que no segredo, vejo o sucesso da equilibrista na determinação que lhe espantava o medo e na fé alheia que lhe confirmava a força. Porque o segredo retira o peso da obrigação do sucesso, mas a determinação e a fé transformam esse sucesso improvável (para alguém “não muito bom de equilíbrio”) em realidade.

    ;*

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  2. desequilibrada! sempre achei. hahaha

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  3. nesse circo, o equilíbrio vem da sua constância.

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  4. Mano,

    Pode deixar que da próxima vez não esqueço nada e participo do “piscinão”. Se duvidar até ganho no dominó. ;)
    Adorei a tarde e adorei – ainda mais – conhecer você. Tudo muito agradável.

    Beijo.

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