quinta-feira, 15 de julho de 2010

parmesão

Não ganhou presentes em seu aniversário, então foi ao mercado e se comprou um calçado bem pomposo, cor-de-caqui. Ele tinha um salto que não era alto, mas pulante. Pulava sem ela perceber. Quando trocava as pernas (e o ar segurava-lhe o corpo por alguns segundos), o sapato aproveitava pra lhe soprar novas vontades - algumas até velhas, de quando era criança. E ela não percebia. Achava-se plena e correta, e dona de todas aquelas novas pisadas. Ao fim, acostumou-se a isto, à sua condição de soltura. Tornou-se malemolente. Sua contribuição para o mundo deixava nas pegadas, eram pequenos tabletes derretidos de aquarela. Ela tinha nos pés tudo o que precisava. Afivelava justos às batatas, o passado e o presente e deixava solto o futuro.

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