sexta-feira, 23 de julho de 2010

seus palavriões

Nascera com orgulho adulto, mas tratava-o como criança sempre que queria alguma coisa. Amarrava-o com silêncio e apertava-o na quina da sala, mesmo nas vezes em que já estava sem dentes. Assim sendo, um dia brigou feio com Cornélio por causa de uma boneca não devolvida e ficou dois dias inteiros sem lhe falar. No terceiro, sentaram-se os dois à mesa; a geladeira, o comentarista da tarde. Levantou um guardanapo em sua direção, como se estirasse bandeira branca. Fazia, não porque sentia-se rendida, mas porque odiava vê-lo com boca suja.

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